SHIPLOADERS E IMPACTOS DE RAIOS
VULNERABILIDADES E AMEAÇAS QUE PODEM SER CONTROLADAS

TERMINAIS MARÍTIMOS

(07/07/2013)

Já que não se pode controlar os fenômenos atmosféricos, sugere-se o desenvolvimento de análises técnicas antecipadas para enfrentar-se esta questão crucial na continuidade e custos dos trabalhos em terminais portuários e estabelecer-se um certo grau de controle e mitigação sobre possíveis ameaças à integridade de sistemas  de shiploaders e sua operação.

 

Assim abordaremos aqui dois modelos típicos para possibilidades de impactos de descargas atmosféricas:

 

- Uma descarga atmosférica atingindo diretamente o Shiploader.

 

- Uma descarga atmosférica atingindo uma estrutura vizinha ao Shiploader.

 

IMPACTO DIRETO

O modelo mais crítico prevê o impacto direto de um raio atingindo o ponto mais elevado da estrutura. Os principais efeitos resultantes são:

 

-a circulação da corrente de impacto pela estrutura (sempre pelos caminhos de mais baixa impedância para os pulsos de alta        freqüência, ou seja, as superfícies e não o cerne dos elementos condutivos e os traçados mais curtos e retilíneos ) e os decorrentes efeitos    de variação de campos eletromagnéticos.

 

 - a distribuição de potenciais perigosos ao longo da estrutura e no solo.

(MAIS)

O conhecimento básico sobre a física da fenomenologia das descargas atmosféricas, nos permite, através de um modelo relativamente simples, avaliar as conseqüências da passagem da corrente de impacto pela estrutura, o que é inevitável. Assim podemos entender que a  maior ameaça constitui-se no acoplamento irradiado / indutivo  de elevadas tensões interferentes nas “espiras virtuais” que geometricamente se projetem nos planos que estejam no sentido da passagem das correntes que serão dissipadas no solo.

Entendemos que os efeitos mais temíveis seriam as interferências de campos eletromagnéticos variáveis durante a circulação das correntes de raios pela estrutura. Por outro lado, ao longo da dissipação no solo, o gradiente de potenciais gerado seria uma ameaça pouco significativa para o shiploader, já que ele é o epicentro do ponto de injeção da corrente do raio (muito mais séria para as estruturas e instalações vizinhas, já que a estrutura está auto aterrada nas suas bases e as eventuais linhas equipotenciais se “curto-circuitariam” nas próprias bases da estrutura. 

 

Assim, poderíamos considerar de extrema sensibilidade para o equipamento embarcado no shiploader as vulneráveis “pensas” de cabos não blindados expostos existentes nas junções articuladas.

Em face desta “visualização”, as medidas preventivas recomendadas são:

 

-  A certificação de adequada blindagem eletromagnética dos traçados de cabos na área e

-  O adequado “barreiramento” / proteção dos enlaces sensíveis expostos àquelas interferências.  

O modelo da figura prevê o impacto direto de um raio atingindo uma estrutura vizinha ao shiploader. Os dois efeitos críticos são:

 

-Aqueles decorrentes efeitos de variação de campos eletromagnéticos e acoplamentos de EMI nos enlaces sensíveis das instalações elétricas.

-A distribuição de potenciais perigosos no solo.

 

Apesar da relativa diferença dos modelos de ocorrência, continuamos, em termos de ameaças, com as mesmas preocupações, já que, mesmo apesar de os efeitos da distribuição de potenciais no solo serem mais acentuados neste caso, continuam efetivas as características de autoimunidade da estrutura em face do seu desenho / características específicas naturais, ou seja, a estrutura é auto aterrada nas suas bases e as eventuais linhas equipotenciais mais acentuadas à partir do epicentro remoto da injeção de corrente do raio, se “curto-circuitam” nas próprias bases da estrutura.

 

Assim sendo as medidas preventivas que são recomendadas no item anterior são absolutamente válidas e inalteráveis em face deste outro modelo de ocorrência de descarga atmosférica.

 

CONCLUSÃO

 

Nossa experiência ao longo de muitos anos registrou inúmeras ocorrências danosas às operações de carregamento de navios por impactos de raios atrasando os embarques e provocando significativos prejuízos. A preocupação dos mantenedores destes equipamentos com a logística de manutenção elétrica e eletrônica fez surgir muitas vezes um significativo custo adicional com a estocagem de spare parts de componentes eletrônicos para as redes digitais de controle.

 

Assim a nossa sugestão é de que os responsáveis pela confiabilidade operacional destes equipamentos estratégicos efetuem estudos antecipados da sua vulnerabilidade, adotando as devidas medidas técnicas para a mitigação de futuros danos.