TORRES DE OBSERVAÇÃO FLORESTAL  

CONTROLE DOS RISCOS AOS OBSERVADORES - ATENDENDO A NR31                                      

A MITIGAÇÃO DE RISCOS AOS OBSERVADORES NO CAMPO EM FACE DE DESCARGAS ATMOSFÉRICAS REQUER ADEQUAÇÃO DAS INSTALAÇÕES E A PRESCRIÇÃO DE CORRETOS PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PARA A PLENA CONFORMIDADE AOS PADRÕES DAS NRs APLICÁVEIS.

Torres de observação florestal são estruturas comumente empregadas nas áreas de florestas plantadas, para o controle de focos de incêndios em épocas secas. 

 

Em geral são estruturas metálicas esbeltas, estaiadas, com altura em torno de 40m, possuindo em seus topos uma “gôndola” ou cabine de observação, acessível através de um elevador interno à estrutura, o qual é movido através de um mecanismo “redutor” com contrapesos que é acionado manualmente pelo operador, tanto na ascensão como na descida. 

Nestas rápidas considerações que se seguem, analisaremos alguns aspectos dos riscos envolvidos na utilização das torres pelos operadores quanto à exposição às intempéries e descargas atmosféricas atingindo as estruturas:

Em geral, estas instalações situam-se em áreas sem facilidades e não agregam sequer instalações elétricas, sendo as comunicações usualmente efetuadas via walk-talkies alimentados por baterias.

Assim os riscos de danos elétricos à equipamentos agregados ficam automaticamente eliminados, contudo no caso de quedas de raios, seja na estrutura da torre, nas casas de abrigo anexas ou nas proximidades (árvores), podem surgir ao longo da estrutura da torre e no solo, potenciais perigosos que devem ser controlados por medidas mitigadoras através da  implementação de malhas de aterramento especiais e procedimentos adequados do operador evitando a exposição a estes riscos. 

POTENCIAIS PERIGOSOS NO SOLO DEVEM SER CONTROLADOS

 

Assim, o acesso de pessoal á torre deve ocorrer exclusivamente em condições de bom tempo previsto pelos responsáveis da  programação de serviços de observação. Com o conhecimento dos riscos existentes, atendendo as diretrizes das Normas Regulamentadoras (em especial à NR31) deverão ser estabelecidas normas de procedimentos que restrinjam a ascensão ou descida do operador nos momentos de mau tempo em face de perigosas diferenças de potenciais que podem aparecer na estrutura em caso da mesma ser atingida por uma descarga atmosférica.

 

Para conter as ameaças de eletrocussão em razão do súbito aparecimento de diferenças de potencial entre os pés do operador, adequadas malhas de aterramento devem ser adotadas com traçados especiais que minimizem essas tensões e, além disso, orientações específicas devem ser dadas aos operadores para que os mesmos se mantenham nas áreas protegidas e somente trafeguem entre a torre e o abrigo em boas condições de segurança.

 

Apesar de todas estas precauções não se pode pretender eliminar os riscos, mas sim mitiga-los, já que não há prescrições técnicas em quaisquer normas técnicas que se apliquem a proteções para áreas abertas.

 

Deve-se considerar também que correntes de raios são de natureza muito diferente das correntes elétricas conhecidas (60 Hz), por circularem em altíssima velocidade, não através do cerne dos condutores, mas sim com muito maior incidência por suas superfícies.

 

A NATUREZA ESPECÍFICA DAS CORRENTES DE RAIO DEMANDA ENFOQUE ESPECIAL  NA CONCEPÇÃO DE MALHAS DE ATERRAMENTO VISANDO A PROTEÇÃO DO PESSOAL

 

 

Para a atividade ceraunica típica do Brasil, atualmente, um choque de raio pode dissipar uma corrente média de 40kA em um tempo total de escoamento de 200 microssegundos, chegando ao pico de corrente em 20 microssegundos (a notação negativa da corrente atem-se à polaridade mais comum das descargas que são em 90% dos casos “descendentes”), assim podemos estimar a frequência do pulso em aproximadamente 500kHz.

 

Ou seja, vamos ter uma enorme reflexão de onda no momento da injeção desta corrente no solo, uma polarização progressiva das camadas superficiais do solo e um surto de impedância colossal para a penetração à camadas mais profundas.

 

Então, teremos variáveis no tempo, praticamente todos os parâmetros aplicáveis para cálculos usuais à 60Hz, para a avaliação da impedância total (Xt = Xr + Xc + Xl ) e da reatância indutiva (Xl = 2 P. F. L),  que é a variável determinante no caso ),  como: r, f(i,t) = ( r. di /dt ), F(t) considerando-se a natural ocorrência de vários choques no mesmo canal de descarga.

 

Visto que, para as funções de condução e circulação de correntes do SPDA as correntes trafegam mais significativamente por superfícies ionizadas, as resistências de contato à baixa frequência não são importantes e assim são satisfatórias as conexões “mecânicas” através de conectores usuais, das descidas, interligações e trechos dedicados do aterramento. Hastes profundas de aterramento também passam a ser de pouca eficácia e até desnecessárias.

 

Para a eficácia do “aterramento”, o que interessa portanto não é o valor da resistência elétrica do aterramento à 130 hz (frequência aproximada da corrente de medição injetada pelos terrômetros), mas sim o comportamento do escoamento dos pulsos pela superfície do solo, que deve ser favorecido com um desenho de malha que obtenha o menor surto de impedância possível. 

 

Devem ser consideradas com cautela as medições de aterramento feitas através dos métodos usuais para a avaliação da componente resistiva da impedância total do sistema, visto que, em se tratando de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas, os critérios deveriam ir além da indicação contida na norma NBR-5419 que, aliás, é omissa neste particular.

SOLUÇÕES ESPECIAIS DEVEM SER ADOTADAS PARA AS                                       CASAS DE ABRIGO DISTANTES DAS TORRES

POTENCIAIS PERIGOSOS PODEM SURGIR AO LONGO DAS ESTRUTURAS EM CASO DE IMPACTO DE RAIO

Em face das características específicas das estruturas metálicas das torres as mesmas podem ser consideradas, enquadradas aos padrões dos itens 5.1.1.4 e 5.1.2.5 da NBR-5419 da ABNT, como estruturas naturais de captação e descida, capazes de receber e conduzir impactos de descargas atmosféricas, não demandando, portanto implementações específicas, contudo devem ser conectadas à malhas de aterramento que considerem uma adequada dispersão de potenciais com controle do “rate de atenuação” da queda de potencial ao longo das distancias concêntricas à estrutura, de modo que haja um adequado controle dos potenciais de passo perigosos ao operador em deslocamentos entre o abrigo e a torre.

 

Em geral as estruturas das torres em face de suas elevações (em torno de 40m) cobrem amplamente na abrangência de área de proteção as edificações anexas das casas de  abrigo, com exceção dos casos em que as casas de abrigo situem-se a distâncias superiores a 20m da estrutura da torre. Nestes casos, para a segurança do operador, em caso de tempestades o abrigo deverá ser provido de um sistema de proteção específico.

 

Deve haver plena disponibilidade da edificação de abrigo na proximidade contígua da estrutura para o emprego do observador em caso de alterações climáticas desfavoráveis.

 

Em hipótese de mudança súbita do tempo que não permita a descida do operador com segurança, o mesmo deve ser orientado a permanecer no interior da “gondola” de observação, em posição central à estrutura, preferivelmente sentado, com braços e mãos abaixados e junto ao corpo, até que se normalizem as condições do tempo, permitindo a descida.

 

Essa alternativa de procedimento, contudo pode ser também considerada precária e somente menos arriscada do que uma descida apressada através da estrutura e essa consideração deve ser levada em conta pelos responsáveis. 

 

A hipótese de que o operador estaria em plena segurança no interior da cabine metálica no momento da queda de raio não pode ser assumida simploriamente baseada na tese de que a cabine se comportaria como uma blindagem perfeita desviando correntes perigosas através de sua superfície exterior, pois pode-se colocar em dúvida o pleno funcionamento da estrutura da cabine como uma “Gaiola de Faraday”, já que a mesma não é plenamente fechada, possuindo descontinuidades em sua “blindagem”.

 

Para que houvesse plena confiança neste procedimento emergencial (permanência do operador na cabine durante tempestades), o sistema deveria possuir certificação adequada do fabricante, ou seja, ter sido submetido à ensaios de laboratório que atestassem a segurança do equipamento para este tipo de situação.

 

Os cuidados nestas considerações remetem os responsáveis pelas operações ao atendimento da legislação normativa do M.T.E, que no caso é a NR31. A este respeito cabe uma observação sucinta das diretrizes e exigências estruturais aplicáveis neste caso, a saber:.

 

NR 31 - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA AGRICULTURA, PECUÁRIA SILVICULTURA, EXPLORAÇÃO FLORESTAL E AQÜICULTURA

EXTRATO DE ITENS RELEVANTES QUE DEVEM SER OBSERVADOS NA BUSCA DE APRIMORAMENTOS CABÍVEIS PARA A SEGURANÇA DOS OPERADORES DE TORRES FLORESTAIS:

31.3 Disposições Gerais - Obrigações e Competências - Das Responsabilidades

 

31.3.3 Cabe ao empregador rural ou equiparado:

 

a) garantir adequadas condições de trabalho, higiene e conforto, definidas nesta Norma Regulamentadora, para todos os trabalhadores, segundo as especificidades de cada atividade; 

 

b) realizar avaliações dos riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores e, com base nos resultados, adotar medidas de prevenção e proteção para garantir que todas as atividades, lugares de trabalho, máquinas, equipamentos, ferramentas e processos produtivos sejam seguros e em conformidade com as normas de segurança e Saúde;

 

c) promover melhorias nos ambientes e nas condições de trabalho, de forma a preservar o nível de segurança e saúde dos trabalhadores;

 

j) informar aos trabalhadores:

1. os riscos decorrentes do trabalho e as medidas de proteção implantadas, inclusive em relação a novas tecnologias adotadas pelo empregador;

 

l) adotar medidas de avaliação e gestão dos riscos com a seguinte ordem de prioridade:

 

1. eliminação dos riscos;

2. controle de riscos na fonte;

3. redução do risco ao mínimo através da introdução de medidas técnicas ou organizacionais e de práticas seguras inclusive através de capacitação;

4. adoção de medidas de proteção pessoal, sem ônus para o trabalhador, de forma a complementar ou caso ainda persistam temporariamente fatores de risco.

 

31.5.1.3 As ações de preservação da saúde ocupacional dos trabalhadores, prevenção e controle dos agravos decorrentes do trabalho, devem ser planejadas e implementadas com base na identificação dos riscos e custeadas pelo empregador rural ou equiparado.

 

31.19 Fatores Climáticos e Topográficos

 

31.19.1  O empregador rural ou equiparado deve:

a) orientar os seus empregados quanto aos procedimentos a serem adotados na ocorrência de condições climáticas desfavoráveis;

b) interromper as atividades na ocorrência de condições climáticas que comprometam a segurança do trabalhador;

 

 

31.22 Instalações Elétricas

 

31.22.1 Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas, executadas e mantidas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico e outros tipos de acidentes.

 

31.22.6 As edificações devem ser protegidas contra descargas elétricas atmosféricas.

 

As considerações desta abordagem mostram que os riscos para operadores de torres de observação florestal são reais em face de condições de mau tempo e devem ser controlados com uma estratégia composta, considerando adequação técnica das instalações (visando o controle dos potenciais perigosos aos quais os usuários se expõem) e o estabelecimento de uma doutrina de utilização que restrinja o acesso à estrutura elevada em períodos de mau tempo, sendo que também deverão ser previstas ações emergenciais de abandono da estrutura dentro de uma disciplina correta.

 

Por outro lado, fica claro que para obter-se efetividade nas implementações técnicas, como malhas de aterramento, têm que ser consideradas as características específicas do fenômeno de circulação de correntes , já que o comportamento destas correntes não segue o padrão usual conhecido nas baixas frequências de redes (60Hz).

 

As determinações da Normas Regulamentadoras aplicáveis, entre elas a NR31 exigem que os responsáveis por operações florestais avaliem corretamente os riscos envolvidos na operação de suas instalações de torres de observação visando o seu pleno enquadramento e homologação aos padrões de conformidade exigíveis.

CONCLUSÃO

ESTRUTURA METÁLICA

FABRICANTE GRAZIA -www.grazia.com.br

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